Eliza Dushku revela que foi molestada enquanto gravava filme True Lies

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O filme True Lies, um clássico de ação, acaba de se tornar parte das recentes acusações de assédio das mulheres em Hollywood.

A acusação vem da atriz Eliza Dushku, que escreveu em seu facebook sobre ter sido molestada pelo coordenador de dublês do longa, Joel Kramer.

Em seu texto a atriz revela ter sido abusada 25 anos atrás, quando ainda tinha 12 anos de idade, e disse só ter tido coragem de publicar esta história por conta das recentes denúncias de assédio contra os homens de Hollywood.

Confira abaixo o texto traduzido:

Quando eu tinha 12 anos, enquanto filmava “True Lies”, eu fui molestada por Joel Kramer, um dos principais coordenadores de dublês em Hollywood.

Desde então, eu tenho lutado em como e quando revelar isso. Na época eu compartilhei o que aconteceu comigo com meus pais, dois amigos adultos e um dos meus irmãos mais velhos. Nenhum deles parecia preparado para enfrentar este tabu, nem mesmo eu.

Eu sou agradecida as mulheres e aos homens que me precederam nos últimos meses. A crescente lista de abuso sexual e vítimas de assédio que falaram suas verdades, finalmente me deram a capacidade de falar. Tem sido indescritivelmente exaustivo guardar isto dentro de mim por todos esses anos.

Eu lembro tão claramente, 25 anos depois, como Joel Kramer me fez sentir especial, como ele metodicamente construiu a minha confiança e de meus pais, por meses me preparando, exatamente como ele me seduziu para seu quarto de hotel em Miami com uma promessa ao meu pai de que ele me levaria para nadar na piscina do hotel e para minha primeira refeição de sushi depois. Eu me lembro vividamente como ele metodicamente desligou as luzes; como ele diminuiu o ar condicionado para o que parecia níveis de congelamento, onde exatamente ele me colocou em uma das duas camas de seu quarto de hotel, qual filme ele colocou na televisão (Coneheads); como ele desapareceu no banheiro e reapareceu, pelado, não tendo nada mais do que uma pequena toalha de mão franzida em sua parte média.

Eu lembro o que estava vestindo (meu short branco favorito, felizmente, seguro o suficiente para eu continuar com ele). Eu lembro como ele me deitou na cama, me cobriu com seu gigantesco corpo contorcendo-se e esfregando-se por cima de mim. Ele disse estas palavras: “Você não vai dormir agora querida, pare de fingir que está dormindo”, enquanto ele se esfregava mais forte e rápido contra meu corpo catatônico. Quando ele ‘terminou’, ele sugeriu, “Eu acho que devemos ser cuidadosos…”, [sobre falar para alguém] ele quis dizer. Eu tinha 12 anos, ele tinha 36.

Lembro-me como depois o taxista me encarou pelo espelho retrovisor quando Joel Kramer me colocou em seu colo no banco de trás,  me apertou e ficou excitado de novo; e como meus olhos nunca deixaram os olhos do taxista durante o longo trajeto sobre a ponto de Miami, de volta ao meu hotel e meus pais. Eu me lembro como Joel Kramer ficou frio comigo nas semanas seguintes, como tudo pareceu diferente no set.

E eu lembro de quanto tempo depois, quando minha forte amiga (da qual eu confiei meu terrível segredo sob a condição de uma troca, ela me deixar dirigir seu carro pelas colinas de Hollywood) foi até o set para visitá-lo e enfrentá-lo, mais tarde naquele mesmo dia, sem uma pequena coincidência, eu me machuquei por um impacto errado no jato de Harriet. Com costelas quebradas, eu passei a tarde no hospital. Para ser mais clara, durante esses meses ensaiando e filmando True Lies, foi Joel Kramer quem foi responsável pela minha segurança em um filme que, na época, quebrou novas barreiras para filmes de ação. Diariamente ele manipulava fios e arneses¹ (1. conjunto de fitas resistentes unidas entre si, que envolvem o tronco e a cintura de uma pessoa em diversas atividades) no meu corpo de 12 anos. Minha vida estava literalmente nas mãos deles. Ele me pendurava ao ar livre, de uma torre de guindaste, acima de uma torre de escritórios, mais de 25 andares de altura. Enquanto ele deveria ser meu protetor, ele era meu abusador.

Porque falar agora?  Eu tinha 12 anos, ele tinha 36. É incompreensível. Porque um adulto no set não percebeu suas estranhas investidas predatórias essa atenção especial que ele me deu. Muito cedo ele me apelidou de ‘Jailbait’ e descaradamente me chamando por este nome de uma maneira sensual doentia na frente dos outros (naquele tempo, lembro-me de perguntar para um dos meus irmãos mais velhos qual era o significado). Claro, eu vim a entender as terríveis dinâmicas de poder que jogam as denúncias por “subordinados” contra as pessoas no poder, o quão difícil pode ser para alguém falar. Mas eu era uma criança. Com o passar dos anos eu realmente lutei enquanto me perguntava como a minha vida poderia ter sido diferente se alguém, qualquer adulto que testemunhasse seus comportamentos doentios, tivesse falado antes de ele me atrair para seu quarto de hotel.

Anos atrás, eu ouvi que Joel Kramer foi “descoberto” e forçado a deixar os negócios. Recentemente fiquei sabendo que, de fato, ele continua trabalhando no topo da indústria. E algumas semanas atrás, eu achei uma foto na internet de Joel Kramer abraçando uma jovem garota. Aquela imagem me assombra sem parar desde então. Eu não posso esconder mais o que aconteceu.

Hollywood tem sido muito boa para mim de várias formas. No entanto, Hollywood também falhou em me proteger, uma criança atriz. Eu gosto de pensar em mim como uma forte garota de Boston, de várias formas eu suponho que não é diferente de Faith, Missy ou Echo. Ao longo dos anos, fãs corajosos compartilharam regularmente como alguns de meus personagens deram a eles a convicção de enfrentar seus abusadores. Agora são vocês que me deram forças e convicção. Eu espero que falar sobre isso ajude outras vitimas e as proteja de futuros abusadores.

Com cada pessoa que fala, cada faixa que aparece na tela do meu celular, revelando histórias/verdades similares, fortalece minha determinação.
Compartilhando essas palavras, finalmente chamando meu abusador publicamente pelo seu nome, trás o inicio de uma nova calma.

Eliza Dushku”.

Gabryelle Bittner, 22 anos, formanda em Psicologia e viciada no mundo de filmes e séries. É uma das idealizadoras do projeto Ladie's Room.

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